Todos os dias a vida nos dá lições de partidas e chegadas, nesse eterno ciclo que é viver, reviver, sobreviver...
Ontem, estava cachimbando com um dos meus primeiros cachimbos, um maestro semi curvo, um dos cachimbos mais queridos e mais usados, aquele cachimbo que vai bem com qualquer tabaco, que está em sintonia com o cachimbeiro...que não aquece demais, mas também no inverno, não decepciona, um cachimbo realmente especial para mim pelas suas qualidades e pela sua história.
Esse cachimbo, um maestro semi curvo, foi um dos primeiro cachimbos que tive e que realmente gostei.....muito usado e maltratado, sem querer (pois estava começando e como tudo no princípio é mais difícil), principalmente pelo fato de, no começo da minha jornada na nobre arte, ter poucos cachimbos, assim, ele era muito usado, efetivamente! (passado dois anos ainda continuo a ter poucos cachimbos..rssssssss)
Depois da janta, olhei para meus cachimbos e o Maestro estava lá, como tinha cachimbado com ele fazia um dia, ontem não iria cachimbar nele, porém, olhava aquele cachimbo e parecia que ele me dizia "vamos companheiro em mais uma jornada nessa noite", não resisti, tirei o maestro do suporte, escolhi um dos primeiro fumos que o batizei, para não dizer o primeiro... um candido giovanella de pessego com 30% de Half e Half (na época, foi batizado com giovanella puro) e me pus a cachimbar.
Durante todo o tempo que estava cachimbando, me recordei dos primeiro momentos que tive na nobre arte, da escolha do Maestro, aos acertos e erros, mas entre um pensamento e outro, sempre pensava comigo mesmo, ao senti-lo na minha mão, e em cada baforada, "este maestro está cachimbando cada vez melhor, mas hoje realmente esta divino, parece que está dando tudo de si nessa noite", "fabuloso" pensei!
Nessa noite, fiz dois fornilho com ele, e ele com maestria de um bom maestro não decepcionou, foi fabuloso realmente....
Depois de cachimba-lo, deixei esfriar e fui tirar a piteira, que para minha surpresa, quebrou a parte que ficava dentro do fornilho...ao mesmo tempo que meu filho veio correndo e me abraçou, fato este que fez com que o fornilho trincasse ao cair no chão.
Com uma sucessão de acertos e de erros naturais da vida, definitivamente esse cachimbo fica registrado na minha história de cachimbeiro, um cachimbo que realmente pode ser chamado de MAESTRO, pois sua última sinfonia foi perfeita, irretocável como toda a sua trajetória!
Mal sabia eu que ele estava se despedindo e deixando a sua última lição "faça tudo que é possível sempre! dê tudo de si em todos os momentos! nunca pare de 'lutar', pois enquando você está lutando, você nunca é vencido!!!"
Essa foi a lição de partida desse "amigo"...
Incrivelmente, acredito que hoje receba meu novo cachimbo, que tinha encomendado antes de saber que o maestro me daria uma "lição de partida", desde já, esse cachimbo não vem para substituí-lo, mas quem sabe para nos fornecer "uma lição de chegada"...
Um abraço e excelentes cachimbadas!!!
Bonita história confrade Rovian.
ResponderExcluirLamento muito pela "aposentadoria" e despedida do seu cachimbo.
E que venha o novo mostrar a mesma força!
Grande abraço.